Comprar na planta é uma das estratégias mais usadas por quem investe em imóveis buscando valorização. O preço de lançamento costuma ser menor que o de um imóvel pronto equivalente, e o pagamento é diluído ao longo da obra. Mas o ganho não é automático, e a correção das parcelas muda bastante a conta.
Veja as vantagens, os riscos e como calcular se um lançamento faz sentido para você.
As vantagens de comprar na planta
- Preço de entrada menor: nas primeiras fases de venda, a incorporadora costuma praticar tabelas abaixo do valor que o imóvel terá quando estiver pronto.
- Pagamento diluído: entrada, parcelas durante a obra e saldo nas chaves. Isso permite investir sem desembolsar o valor total de uma vez.
- Valorização durante a obra: conforme o prédio sai do papel e as unidades são vendidas, as tabelas sobem. Quem comprou no início captura essa diferença.
- Imóvel novo: menos manutenção nos primeiros anos e mais atratividade para aluguel ou revenda.
- Escolha de unidade: no lançamento há mais opções de andar, posição solar e vista.
Os riscos que entram na conta
- Correção pelo INCC: durante a obra, o saldo devedor costuma ser corrigido pelo índice da construção civil. Em períodos de alta, o custo final pode subir bem acima da tabela.
- Atraso na entrega: obras atrasam. O contrato deve prever prazo de tolerância e multa, e o atraso adia a renda ou a revenda.
- Solidez da incorporadora: histórico de entregas, situação financeira e existência de patrimônio de afetação reduzem o risco de a obra parar.
- Valorização que não vem: se a região não se desenvolver ou houver muita oferta parecida na entrega, o imóvel pode valer só o que foi pago.
- Saldo nas chaves: é preciso ter o financiamento aprovado ou o dinheiro disponível na entrega. Crédito negado nessa hora é um problema sério.
Exemplo: como calcular o retorno
Considere uma unidade de R$ 500 mil na tabela de lançamento, com obra de três anos. Os números são um exemplo hipotético, simplificado para mostrar a lógica.
| Entrada (10%) | R$ 50.000 |
| Parcelas durante a obra (20%), com correção | cerca de R$ 109.000 |
| Saldo nas chaves (70%), corrigido em 18% pelo INCC | cerca de R$ 413.000 |
| Custo total corrigido | cerca de R$ 572.000 |
| Valor de mercado estimado na entrega | R$ 620.000 |
| Ganho bruto estimado | cerca de R$ 48.000 |
Até as chaves, o investidor desembolsou cerca de R$ 159 mil (entrada mais parcelas). Um ganho de R$ 48 mil sobre esse valor representa cerca de 30% em três anos, antes de impostos e dos custos de revenda.
Agora repare no outro cenário: se o imóvel valer na entrega só R$ 572 mil, o mesmo valor corrigido que foi pago, o ganho é zero. O retorno depende inteiramente da diferença entre o valor de mercado na entrega e o custo corrigido, e não da diferença entre o valor de mercado e a tabela original.
Três estratégias de saída
- Revender antes das chaves: a cessão de direitos permite vender o contrato durante a obra. Depende de aprovação da incorporadora, que pode cobrar uma taxa.
- Quitar e revender pronto: exige ter o saldo das chaves e incluir no cálculo ITBI, registro e o imposto sobre o ganho de capital.
- Quitar e alugar: transforma o investimento em renda. Nesse caso, a conta passa a ser a de rendimento líquido, explicada no artigo sobre renda com aluguel.
Checklist antes de assinar
- Pesquise o histórico de entregas da incorporadora e se o empreendimento tem patrimônio de afetação.
- Confira o registro da incorporação na matrícula do terreno.
- Simule o custo total corrigido com um INCC conservador, e não com o índice do último mês.
- Compare o preço por m² com imóveis prontos e novos da mesma região.
- Tenha um plano para o saldo das chaves antes de assinar a compra.
- Defina a estratégia de saída e calcule o retorno de cada uma.
Quer acesso a lançamentos com essa análise pronta? A IMOINVEST apresenta cada oportunidade na planta com a simulação do desembolso mês a mês, o custo corrigido e os cenários de saída. Faça seu cadastro de investidor.
Leia também: Investir em imóveis vale a pena? 7 vantagens e os riscos que você precisa conhecer.
Conteúdo educativo, com valores hipotéticos e simplificados. Não constitui recomendação de investimento. Questões contratuais e tributárias devem ser confirmadas com advogado e contador.